quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Empresas que utilizam símbolos e selos com apelo ecológico que podem enganar o consumidor

A rotulagem com apelo ambiental atrai pessoas preocupadas com a natureza. Mas muitos fabricantes acabam cometendo erros nas embalagens que podem enganar os consumidores na hora da compra.

Em 2014, uma pesquisa feita pela empresa Market Analisys, revelou que houve no Brasil um aumento de quase 500% de produtos com as denominações "verde", "ecológico" ou "sustentável", em relação a primeira pesquisa feita em 2010.

O que se constatou é que uma das causas desse crescimento é o aumento da conscientização da população brasileira quanto aos problemas ambientais. O consumidor estaria mais interessado em mercadorias que gerem menos resíduos e sejam produzidos com menos impacto à natureza. Nos supermercados encontra-se uma infinidade de produtos com esse tipo de apelo. Mas será que eles são realmente ecológicos?

Diante dessa mudança de comportamento, muitos fabricantes passaram a apostar na sustentabilidade como marketing. No entanto, utilizam símbolos, selos e mensagens que podem induzir o consumidor a tirar conclusões erradas sobre os benefícios de um produto ou serviço.

Essa estratégia é conhecida como "maquilagem verde" (ou greenwashing) e foi estudada pela consultoria canadense Terra Choice. O conceito foi dividido em sete categorias, chamadas de "Os Sete Pecados da Rotulagem Ambiental".
Os Sete Pecados da Rotulagem Ambiental

1. Pecado do Custo Ambiental Camuflado
Rótulo destaca uma qualidade “verde” do produto e esconde outras características que podem representar uma perda ambiental maior. Ou seja, ao pesar na balança, o malefício não-anunciado é maior que o benefício anunciado.
Exemplo: Os guardanapos fabricados pela empresa X afirmam ter "100% de fibras naturais". Contudo, é preciso gastar muita água e energia para fabricá-los.
Pergunte-se: o apelo ecológico está se referindo a apenas uma questão ambiental restrita?

2. Pecado da Falta de Prova
Faltam dados que provem que o produto é correto ambientalmente e as informações não são acessíveis (nem no local de compra, nem na internet). Por exemplo: eletrodomésticos que dizem ser eficientes, porém não têm certificação confiável. Se um produto diz que é uma coisa, deve comprovar.
Exemplo: A embalagem de papel higiênico C informa que ele foi produzido com celulose de reflorestamento, só que não apresenta selo de entidade certificadora.
Pergunte-se: o apelo fornece mais informações sobre sua proveniência?

3. Pecado da Incerteza
Quando o consumidor não entende a informação passada e confunde significados. Alguns exemplos estão nas expressões “natural” (arsênio, urânio e mercúrio são naturais, mas venenosos) e “amigo do meio ambiente ou ecologicamente correto” (pedem uma explicação complementar – afinal, ecologicamente correto, por si só, não quer dizer muita coisa). Segundo a pesquisa, é o pecado mais comum entre os produtos brasileiros – representa 46% de todos cometidos por aqui.
Exemplo: O rótulo de um determinado corretivo apresenta o termo "eco" e garante não prejudicar o meio ambiente, mas não explica o motivo.
Pergunte-se: o apelo ambiental é auto explicativo? Se não, apresenta alguma explicação sobre seu significado?

4. Pecado do Culto a Falsos Rótulos
O produto transmite a impressão errada quando parece que tem um selo confiável e  não tem – tipo desenhos de uma arvorezinha ou de um planeta fofo que estão ali só para “encher linguiça” e podem confundir o consumidor.
Exemplo: Os fósforos de uma determinada marca  contém a mensagem "madeira 100 % reflorestada" em sua embalagem, sem o selo FSC ou Cerflor. Ambos certificam o caminho da madeira, desde a origem ao fim da cadeia produtiva.
Pergunte-se: o certificado apresentado pelo produto é realmente endossado por terceiros?
5. Pecado da Irrelevância
Quando é dado destaque para informações que não são importantes ou úteis na busca do consumidor. Ou seja, o rótulo distrai e pode fazer com que a pessoa deixe de procurar opções melhores. Um exemplo citado no estudo é quando uma embalagem traz a mensagem “não contém CFC” como se fosse um diferencial (a substância foi banida por lei há anos).
Exemplo: A borracha M afirma ser livre de PVC. Porém a legislação já proíbe essa substância em borrachas.
Pergunte-se: poderiam todos os produtos desta categoria apresentar o mesmo apelo?

6. Pecado do “Menos Pior”
O benefício ambiental do produto pode até ser verdadeiro, mas esconde o impacto da sua indústria como um todo. Por exemplo, pesticidas que se apresentam como ecologicamente corretos. No Brasil, a pesquisa não encontrou produtos que cometem este pecado – e no resto do mundo a incidência também foi pequena.
Cigarros orgânicos são um ótimo exemplo. Fazem mal à saúde do mesmo jeito e não trazem qualquer vantagem ao meio ambiente.
Pergunte-se: o apelo tenta fazer o consumidor se sentir mais “verde” em relação à categoria de um produto que tem seu benefício ambiental questionado?

7. Pecado da Mentira
Como o nome diz, a informação passada é falsa. O segmento de cosméticos e higiene pessoal foi o que mais apresentou apelos mentirosos no estudo. Brasil e Canadá foram os mais pecadores nesse quesito.
Exemplo: Uma determinada esponja de aço contém a mensagem "100% ecológico". Porém não há estudo que comprove que é mesmo totalmente ecológico.
Pergunte-se: quando checo o apelo feito, ele é verdadeiro?
Mais informações AQUI.
O que diz a ISO 14020 sobre os rótulos ambientais nas embalagens
Mais informações AQUI.
Fonte: Revista PROTESTE, Recicloteca, Empresa Verde, Ideia Sustentável.

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